
Uma passeata em defesa dos direitos dos animais e por justiça pelo cão Orelha está marcada para o próximo sábado (31), às 10h, no Centro de Convenções de Atibaia. A mobilização tem como objetivo manter o caso em evidência e chamar a atenção da sociedade para a gravidade dos crimes de maus-tratos contra animais. Com o lema “Não vamos deixar cair no esquecimento, ele só queria brincar”, os organizadores convidam a população a participar do ato pacífico.
A idealização e organização oficial do movimento são da Priscila, em parceria com a ONG AMA Patas de Atibaia. Segundo os organizadores, o objetivo da passeata é dar visibilidade à causa animal, oferecendo apoio e voz para que o caso do cão Orelha não seja esquecido e para que outros animais em situação de violência também tenham a atenção necessária das autoridades e da sociedade.
O caso que motivou a manifestação ocorreu em Florianópolis (SC). A Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC) investiga a responsabilidade de um grupo de adolescentes nas agressões que levaram à morte do cão comunitário Orelha, que vivia na região da Praia Brava. Em razão da gravidade dos ferimentos, o animal precisou passar por eutanásia.
De acordo com as investigações, além das agressões contra Orelha, os adolescentes também teriam tentado afogar outro cachorro, conhecido como Caramelo, que costumava andar junto com ele. Segundo o delegado-geral da PCSC, Ulisses Gabriel, o cão chegou a ser levado ao mar, mas conseguiu escapar. Após o episódio, Caramelo foi adotado.
O caso gerou forte comoção e manifestações de indignação, inclusive entre autoridades públicas. Para o vereador Lucas Cardoso, a morte do animal evidencia a gravidade da violência cometida contra seres indefesos.
“Dói de verdade. O Orelha não é só mais um caso, é a prova de até onde pode chegar a crueldade humana. Quem faz isso com um animal indefeso precisa ser responsabilizado, sem passar pano, sem desculpas. A impunidade machuca tanto quanto o próprio ato. Que esse caso não seja esquecido e que, pelo menos, sirva para que a sociedade pare de tratar a violência contra quem não tem voz como algo normal”, afirmou Lucas Cardoso.
A Polícia Civil informou que, caso a autoria das agressões seja confirmada, o relatório final do inquérito será encaminhado à Delegacia Especializada no Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei. Isso ocorre porque, em razão da idade, os envolvidos não respondem pelo Código Penal comum, mas por legislação específica que trata de atos infracionais cometidos por menores de 18 anos.
A passeata em Atibaia busca não apenas justiça pelo cão Orelha, mas também reforçar a importância da denúncia, da conscientização e do fortalecimento das leis de proteção animal, para que casos como este não se repitam.
por: Bruno Papini / Jornal Estância de Atibaia












