
Instituto Ficar de Bem atua no combate a qualquer forma de violência e outras violações de direito de gênero oferecendo suporte a vítimas
O carnaval segue como um dos eventos mais aguardados do calendário brasileiro, reunindo milhões de pessoas em blocos e desfiles em todas as regiões do país. Para muitas mulheres, no entanto, a celebração acontece sob um sentimento constante de insegurança. Um levantamento do Instituto Locomotiva, realizado em 2025, revela que 45% das mulheres brasileiras já sofreram algum tipo de assédio durante a festa, o que representa cerca de 38 milhões de vítimas.
Esse cenário se insere em um contexto mais amplo de violência de gênero no país. Segundo dados da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher e do Mapa Nacional da Violência de Gênero, 3,7 milhões de brasileiras sofreram algum tipo de violência em 2025, com predominância de casos de violência física e sexual, seguidos por violência moral e psicológica. Os dados indicam ainda que o Brasil registrou mais de 33 mil vítimas de estupro no ano passado, uma média de 187 ocorrências por dia, com mulheres representando 85% das vítimas.
O estudo também evidencia a dimensão da violência no ambiente digital. Nove em cada dez mulheres relatam que já sofreram ameaças, perseguições, criação de perfis falsos, difamação ou divulgação de imagens íntimas sem consentimento. Mesmo diante da gravidade, a maioria das vítimas não denuncia, principalmente por medo de represálias, preocupação com os filhos, descrença na punição dos agressores, expectativa de que a agressão não se repita e, de forma alarmante, pela dificuldade de reconhecer que vive uma situação de violência.
Para apoiar mulheres em situação de violência, o Centro de Referência e Apoio à Mulher II (CRAM II), serviço da Prefeitura de São Bernardo do Campo executado pelo Instituto Ficar de Bem, oferece assistência integral e atendimento humanizado. O serviço atua de forma articulada com a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), Juizados Especiais, Ministério Público e Defensoria Pública, garantindo acolhimento e encaminhamentos conforme a necessidade de cada caso. O CRAM II é um espaço de apoio para mulheres que vivenciaram violências física, psicológica, moral, patrimonial e sexual, assegurando atendimento sigiloso, acompanhamento psicológico e social, além de orientações jurídicas. Para ser atendida, basta procurar o serviço, sem necessidade de agendamento prévio. Também são realizadas orientações e avaliação de risco e, em situações de risco de vida, a mulher poderá ser encaminhada para Casa Abrigo, visando a proteção da vida.
“Sabemos que o medo e a vergonha impedem muitas mulheres de buscar ajuda. Contudo, no Cram, as vítimas encontram um ambiente seguro, onde podem relatar suas experiências sem julgamento e receber o suporte necessário para reconstruir suas vidas”, afirma Melissa Terron, superintendente do Instituto Ficar de Bem.
Melissa ressalta ainda a importância da denúncia como forma de enfrentar a violência. “O silêncio protege os agressores e perpetua o ciclo de violência. Denunciar é um ato de coragem e um passo fundamental para que a justiça seja feita”, reforça.
Casos de violência podem ser denunciados pelos canais Disque, 180, 100 ou 190, além do registro em delegacias e promotorias de Justiça. Após, as vítimas podem ter acesso a medidas protetivas, atendimento psicológico, assistência jurídica e cuidados médicos, incluindo profilaxia contra infecções sexualmente transmissíveis e, quando previsto em lei, a interrupção da gravidez que são realizados na saúde.
| Sobre Ficar de Bem O Instituto Ficar de Bem é uma organização não governamental, sem fins lucrativos e sem vínculos políticos ou religiosos, que há 37 anos defende os direitos e oferece apoio integral a crianças, adolescentes e suas famílias, além de idosos, mulheres e pessoas em situação de rua, vítimas de violência física, psicológica, sexual e negligência. Fundada em 1988 como CRAMI – Centro Regional de Atenção aos Maus Tratos na Infância do ABCD – pelo pediatra Emílio Jaldin Calderon, a instituição atualmente é presidida pelo empresário Evenson Robles Dotto e conta com núcleos de atuação em Santo André, São Bernardo do Campo e Diadema. Com 20 serviços voltados para prevenção, acolhimento e suporte social, além de coordenar o Bom Prato na região do ABC, a Ficar de Bem mantém parcerias com o poder público – Prefeitura de Santo André, de São Bernardo, Diadema e agora, Mauá – que possibilitam a ampliação e sistematização do atendimento, rompendo ciclos de violência e promovendo relações de cuidado e respeito. Reconhecida por sua transparência e eficiência, a Ficar de Bem possui certificações e prêmios e é declarada Utilidade Pública em níveis municipal, estadual e federal, atuando conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e o Sistema Único de Assistência Social (SUAS), reafirmando seu compromisso com uma sociedade justa e igualitária. Além disso, a instituição está pelo terceiro ano consecutivo na lista das 100 melhores ONGs do Brasil. |












