
Por: Gustavo Alonge Furtado
Ela já era figura consolidada no universo do entretenimento, passou a ocupar espaço também no noticiário esportivo e, nos últimos dias, tornou-se um dos nomes mais comentados do Carnaval. Elogiada ao estrear na Sapucaí como rainha de bateria ou vaiada por admiradores de sua antecessora, pouco importa. O fato é que não há como ignorar que Virginia Fonseca, aos olhos das redes sociais, tornou-se hoje uma das mulheres mais relevantes do país em termos de atenção digital. Sua trajetória nas plataformas a levou a esse patamar e a pergunta que fica é inevitável: é possível construir um engajamento igualmente potente para si ou para o próprio negócio?
A resposta passa, necessariamente, por estratégia, consistência e gestão de imagem. No caso de Virginia, especialmente neste Carnaval, duas lições se destacam. A primeira é compreender que, nas redes, a indiferença é mais prejudicial do que a crítica. Comentários negativos, quando administrados com inteligência, também geram alcance. Os chamados “haters” alimentam o algoritmo e ampliam a visibilidade. Ao ocupar o centro do debate, seja sob aplausos ou vaias, ela consolidou ainda mais sua notoriedade, inclusive em um território novo como o do samba.
A segunda lição é talvez ainda mais relevante: o poder está nas mãos de quem detém a atenção e, nas mídias digitais, a atenção pertence a quem produz conteúdo de forma constante e estratégica. Conteúdo deixou de ser acessório; tornou-se ativo central de qualquer marca. No caso de Virginia, cujo público é amplo e heterogêneo, o alcance ganha proporções gigantescas. Mas o princípio vale também para nichos específicos: públicos menores, quando bem trabalhados, podem gerar resultados expressivos e autoridade consistente dentro de um mercado.
Aqui, vale uma ressalva. Dizer que Virgínia é uma referência digital tem a ver muito com o que as pessoas em geral avaliam como fator para tal condição. E hoje o que as pessoas mais consideram são os números de alcance, não necessariamente atos ou vendas, itens que também precisam ser ponderados por quem busca engajamento nesse tipo de mídia. É fundamental demonstrar essas virtudes.
Atente-se. A combinação entre conteúdo de fato relevante, frequência e conexão é determinante. Não se trata apenas de publicar, mas de criar vínculo. A rotina disciplinada de geração de conteúdo, aliada à linguagem direta e próxima, fortalece a percepção de autenticidade. Quando há constância e identificação, o público acompanha, interage e, sobretudo, confia. E confiança, no ambiente digital, converte-se em engajamento, influência e, consequentemente, resultado econômico.
Há ainda uma terceira dimensão implícita nesse movimento: a desintermediação. Ao construir sua própria audiência, a marca, pessoal ou empresarial, reduz a dependência de terceiros para amplificar sua mensagem. Em vez de investir exclusivamente na contratação de influenciadores, torna-se possível assumir o papel de protagonista da própria narrativa. Guardadas as proporções, é essa a lógica que explica a ascensão e a permanência de Virginia no centro das conversas
nacionais. Ainda que seu conteúdo não seja algo de interesse geral e social.
O Carnaval apenas evidenciou algo que o mercado já deveria ter aprendido: relevância não nasce do acaso. É fruto de presença contínua, leitura inteligente do ambientedigital e capacidade de transformar atenção em ativo estratégico. Em um cenário no qual visibilidade é moeda, quem domina o conteúdo domina o jogo.
Gustavo Alonge Furtado especialista em Marketing Digital e diretor da Engajatech











