
O Projeto “Observando os Rios”, de monitoramento de corpos de água promovido pela SOS Mata Atlântica em todo o bioma, constatou piora da qualidade da água do Córrego do Onofre, em Atibaia, em 2025. Há três anos, o Onofre é sistematicamente avaliado por uma equipe de voluntários do projeto e, durante todo o ano passado, o Índice de Qualidade da Água auferido ficou no vermelho, apontando para nível ruim.
Foi o primeiro ano em que o gráfico ficou no vermelho durante os doze meses, apresentando níveis elevados de coliformes fecais, nitrato e fostato, levando à redução dos índices de oxigênio na água e, portanto, da possiblidade de vida no córrego. Mesmo na época chuvosa, a condição do Onofre segue ruim, o que pode indicar o aumento do volume de esgoto jogado in natura no corpo d´água, que a montante é uma das fontes de água do município.

Apesar de sua água abastecer 20% de Atibaia, com cada vez menos áreas verdes no seu entorno para servir de filtro para as fossas rudimentares, o córrego do Onofre padece, desaguando sujidade no Rio Atibaia, importante manancial de abastecimento da região de Campinas. O Rio Atibaia também preocupa, pois vem sofrendo desmatamentos e interferências significativas por causa da cômoda mitigação do assoreamento e da poluição industrial e orgânica. Estima-se que o rio receba cerca de 14 toneladas de lixo mensalmente.
Os dados mais recentes do Instituto Água e Saneamento e indicadores de 2025 mostram que apenas 61,5% da população possui coleta de esgoto, o que representa um desafio frente à meta de universalização (90%) estabelecida pelo Novo Marco Legal. O índice fica bem abaixo da vizinha Bragança Paulista, que coleta 81,5% do esgoto.
Observando os Rios
O monitoramento por meio do “Observando os Rios” é feito com um kit fornecido pela SOS Mata Atlântica e produz, a partir da colaboração de cidadãos comuns, um índice de Qualidade de Água (IQA). Em todo o país, voluntários monitoram 231 cursos d´água, em 125 municípios de 17 estados brasileiros. O projeto traz um panorama independente da qualidade dos rios monitorados e estimula a participação e discussão social das políticas públicas de preservação.
A coleta da água é feita no final de cada mês, próximo à foz do Onofre, na altura da ponte próxima à Estação Atibaia. Dentre os parâmetros observados neste último ano, o Córrego do Onofre apresentou odor fétido, ausência de peixes, larvas e mata ciliar, alto índice de coliformes fecais, baixo nível de oxigênio dissolvido, altos níveis de fosfato e nitrato.
Por: Marli Romanini









